domingo, 30 de dezembro de 2007

Criando, construindo e desconstruindo um personalidade

-É esse?
-Não
-É então aquele!
-Não, já disse!Você não tem pai!
-Sou filha do vento então? indaguei ironicamente a minha mãe
-Você é minha filha e só, seu pai não presta, ele não te quis! E não quero falar mais nesse assunto!
Foi assim, que cresci, criando na imaginação um pai ficticio, que um dia iria me salvar daquela minha vida confusa, triste e cheia de imaginações infantins.
Minha mãe sempre fora de casa. Criada por tias, avó e quem quisesse aguentar aquele gênio revoltado e intrigante o qual me assolava a cada etapa da minha vida.
Então ninguém me quer, nem meu pai... Esse pensamento perpetuou na minha mente por muitos anos. Ninguém me notava, me sentia feia, estranha, era como um estorvo na minha familia. Sempre me mudando de casas e tutores , não sabia quem obedecer, o que seguir, aonde ir. Deixo claro, que não culpo minha mãe e ninguém, foi minha sina, acredito eu.
Ingênua, acreditava em tudo e todos que me demostrassem um pouco de carinho. E quando esse vinha da minha mãe não aceitava, porque na época achava que ela era culpada por ser assim tão só.
Minha suposta deliquência começou com meus 12 anos, quando fui pega num supermercado roubando com minha turminha barra pesada, nem liguei, pelo menos me sentia aceita naquele grupo. Logo me mudei de novo para Piui, depois Bambui, Belo Horizonte novamente, Arcos, não sei quantas vezes morei nessas cidades. A liberdade e a irresponsabilidade me guiavam nesse tempo.
Com 15 anos Maconha, extase, bebidas e outras drogas faziam parte do meu cotidiano. E cada vez mais me sentua só, perdida. Queria fugir do mundo real. Fugir, não sei pra onde, mas apenas fugir.
Fui descriminada, taxada, e ridicularizada por muitos, principalmente minha familia. Já quiz morrer, ser outra pessoa, mas não podia, então me perdia nesse mundinho fácil e fútil.
Hoje não curto essas viajens, tento me ajustar, e não me sentir tão só.
Descobri que a vida realmente é curta, e viver é muito bom. A liberdade, o ato de ir e vir ainda me instiga a casa instante, Não consigo viver sem conhecer, sem viajar. Não me apego a ninguém, a nada, acredito que isso seja fruto do meu passado, talvez seja bom.
Queria correr o mundo sozinha, como sempre fiz, mas hoje me sinto um pouco cansada da solidão, mas sei que isso logo passa. O mundo esta ai para ser vivido e descoberto, isso eu sei. Não quero me prender a nada a ninguém. Quero apenas encontrar algo que ainda não sei.

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Belo Horizonte, Minas, Brazil
Trabalho com cinema e fotografia.